Santa Catarina busca fortalecer logística e infraestrutura para se destacar nacionalmente sem elevar tributos

Desde que assumiu o governo de Santa Catarina, em janeiro de 2023, o governador Jorginho Mello (PL) afirma ter conduzido uma gestão voltada para a redução de despesas e o aumento da eficiência do setor público.
“Não tenho dúvida: não há área em que não mexemos, sempre buscando desburocratizar e tornar o serviço público mais eficaz. Esse é o papel do governo para apoiar quem produz e quem trabalha no Estado”, afirma Jorginho Mello.
Uma das bandeiras apresentadas por Jorginho foi a manutenção da carga tributária. O governador destacou que Santa Catarina foi o único estado brasileiro a não aumentar impostos em 2023. “Acredito que, diminuindo a carga tributária, é possível arrecadar mais, porque a economia gira”, diz.
De acordo com ele, a principal estratégia foi cortar despesas. “No primeiro ano, economizamos R$ 1 bilhão. Essa economia possibilitou, por exemplo, a realização de 1,15 milhão de cirurgias, além do pagamento de dívidas herdadas da gestão anterior”, ressalta.
Com os recursos, o governo anunciou investimentos de R$ 3,5 bilhões em estradas e R$ 4 bilhões em educação. Segundo Jorginho, a lógica é simples: “Assim como na vida pessoal, não se pode gastar mais do que se ganha. É preciso economizar para poder investir”.
Infraestrutura e energia
Na área de infraestrutura, o governador citou levantamento da Fetrancesc (Federação das Empresas de Transporte de Carga de Santa Catarina), segundo o qual, quando assumiu o governo, só 27% das estradas eram boas. Agora o índice, aponta o governador, é de 80% ótimas e boas.
Outro ponto mencionado foi o investimento em energia. A Celesc já aplicou R$ 2,5 bilhões e deve alcançar R$ 4,5 bilhões em aportes até o fim deste ano. A meta é ampliar a rede trifásica em 2.000 quilômetros.
Conectividade e agricultura
Jorginho ressalta ainda programas voltados ao meio rural. Um deles é a melhoria das estradas vicinais, para apoiar a agricultura familiar, e outro, o fornecimento de internet de qualidade no campo e em pequenos municípios.
“Estamos investindo para levar conectividade ao campo, apoiando a agricultura familiar e assegurando condições para que os jovens permaneçam no meio rural”, completa.
Para ele, o modelo catarinense é de agricultura familiar. Para que as famílias permaneçam no campo, precisam de energia confiável, estradas boas e conectividade.
Jorginho afirma que Santa Catarina vive um “grande momento” em infraestrutura e logística. Ressalta que o estado é o único do Brasil com oito portos – seis em operação e dois em construção, e agora também começa a investir em ferrovias.
“Isso nos coloca em condição de competir com outros estados. Os portos são a porta de saída para a exportação, e todos estão organizados, superavitários e fazendo obras de ampliação”, diz.
Entre os destaques, o governador cita os terminais de São Francisco do Sul, Itapoá, Imbituba e Navegantes. Segundo Jorginho, obras de acesso ao Porto de São Francisco estão sendo viabilizadas graças ao fim de uma disputa judicial de mais de 30 anos entre Santa Catarina, Paraná e São Paulo.
O acordo garantiu ao Estado catarinense a devolução de R$ 330 milhões pelo Paraná, que serão aplicados em obras. “O governador do Paraná vai executar obras em nosso território. Ele faz a SC-416 e Santa Catarina a SC-417, desafogando o trânsito em Garuva e melhorando o acesso ao porto”, explica.
Universidade Gratuita

O governador reafirma o programa Universidade Gratuita como uma das principais políticas públicas de sua gestão e defendeu que a iniciativa se torne permanente em Santa Catarina. Segundo ele, o projeto já atende 54 mil estudantes e deve alcançar 70 mil até 2026.
“O programa está consagrado. Quem tem curso superior dobra o salário quando arruma emprego. Estamos garantindo que jovens e adultos possam cursar a faculdade dos seus sonhos sem que a família precise se endividar.”
Ressaltou que, além de abrir oportunidades, o programa prevê contrapartidas. Até agora, 3.300 alunos já se formaram e atuam quatro horas semanais, durante dois anos, em funções ligadas à profissão escolhida.
“Se for médico, vai para dentro de um hospital público; se for engenheiro, ajuda nas estradas”, explica. “É a devolução do dinheiro do catarinense para o catarinense”, destaca.
Saúde, valorização hospitalar e cirurgias
Além da educação, Jorginho cita avanços na saúde. Ressaltou que os repasses a hospitais passaram a ser feitos de forma direta, “fundo a fundo”, com base em critérios técnicos como número de leitos e UTIs.
“Não é mais quem grita mais que recebe. Hoje, há critérios claros, menos burocracia e mais eficiência”, diz.
O governador também afirma que o estado fez 1,15 milhão de cirurgias, superando até mesmo estados mais populosos como São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Isso, segundo ele, foi possível porque Santa Catarina paga valores até 12 vezes maiores do que a tabela do SUS.
“Todo mundo se queixa que o SUS paga pouco, mas aqui os hospitais têm interesse em operar, porque pagamos em dia e acima da média. Com isso, médicos e instituições se mobilizam, e quem ganha é a população”, destacou.
Jorginho defende que tanto o programa Universidade Gratuita quanto a política de valorização hospitalar sejam tratados como políticas de Estado e não apenas de governo.
“São ações duradouras, que ninguém poderá simplesmente revogar por gosto pessoal. Elas têm começo, meio e fim, mas com responsabilidade e eficácia”, avalia.
Sistema prisional
O governador também anunciou investimentos na ampliação do sistema prisional. Estão previstas nove mil novas vagas, com foco em unidades de caráter laboral.
“Aqui em Santa Catarina o preso tem que trabalhar. Ele ganha um salário mínimo, paga 25% em pensão, 25% vai para um fundo pessoal e 50% é destinado à família”, destaca.
Segundo Jorginho, o modelo é um exemplo para o Brasil, ao conciliar disciplina com reinserção social. Entre os projetos, está a desativação da penitenciária da Agronômica, e a transferência para novas unidades.
Segurança pública
A segurança pública foi um dos temas centrais destacados pelo governador. Segundo ele, Santa Catarina vive um processo de recomposição das forças policiais após mais de uma década de queda no efetivo.
Desde 2010, o Estado perdeu cerca de 2.000 policiais militares. Agora, a meta do governo é estancar esse esvaziamento e, ao mesmo tempo, ampliar a estrutura de atendimento à população.
“Já fizemos concurso para 1.200 novos policiais militares. Desses, 600 já estão atuando nas ruas, distribuídos em diferentes regiões do Estado, e os outros 600 estão em formação. Analisamos boletins de ocorrência e índices criminais, para definir onde cada policial seria alocado. Não existe mais município com apenas um policial, o que era inadmissível”, afirma.
Além disso, novos concursos já foram autorizados para reforçar a Polícia Civil, com vagas para delegados e agentes, a Polícia Científica, o Corpo de Bombeiros e a Polícia Penal. Esta última deve ganhar reforço de 2.000 contratações, acompanhando o aumento no número de vagas no sistema prisional.
Modelo de polícia temporária
Uma das novidades anunciadas pelo governo é a criação da figura do policial temporário. Inspirado no modelo do Exército, o programa pretende contratar 1.000 profissionais. Eles ficarão responsáveis por funções administrativas e burocráticas em batalhões e quartéis, liberando policiais de carreira para atuar nas ruas.
Jorginho também destaca o papel da educação como aliada na segurança. Santa Catarina tem 21 escolas cívico-militares, número que corresponde a uma promessa de campanha já cumprida. Agora, o plano é expandir ainda mais.
“A meta é chegar a 30, 50, até 100 unidades no ano que vem. Esse modelo deu certo e apresentou os melhores resultados educacionais do Estado, conforme avaliação técnica da Secretaria de Educação.”
O governador frisa que a valorização salarial e estrutural também fazem parte da estratégia. A categoria recebeu reposição de 21,5% nos vencimentos e melhorias em benefícios, como o vale-alimentação, que passou a ser pago em dinheiro direto na folha, em vez de ser restrito a restaurantes credenciados.
Além disso, cada policial recebe a farda no dia do seu aniversário, medida simbólica que, segundo Jorginho, reforça o sentimento de pertencimento e valorização.
Combate à violência contra a mulher
Entre os desafios da segurança pública, o governador reconhece que os índices de feminicídio ainda preocupam. O estado vem ampliando delegacias especializadas e criando estruturas de acolhimento humanizado.
“As delegacias da mulher passam a contar com salas adequadas, com psicólogos e equipes preparadas para receber vítimas. O feminicídio é uma chaga social que precisamos combater com firmeza”, ressalta.
O governador destacou que Santa Catarina mantém o título de estado mais seguro do país. “Temos orgulho de dizer que as nossas forças de segurança estão entre as mais preparadas e dedicadas do Brasil e comprometidas a proteger a vida e garantir a paz dos catarinenses”, declara.
Geração de empregos
A política de desoneração também tem como objetivo apoiar o setor produtivo e estimular a criação de empregos. “Suspendemos, postergamos ou deixamos de cobrar tributos desde que as empresas investissem em expansão e geração de postos de trabalho. Essa é a cara de Santa Catarina: pequeno em território, mas gigante em inovação e produtividade.”
Ele destaca ainda que o estado possui atualmente o menor índice de desemprego do Brasil, de 2,2%, e proporcionalmente o maior número de trabalhadores com carteira assinada.
“O catarinense não espera benesses do governo. O Bolsa Família fica para quem realmente não tem condições de trabalhar. O nosso povo é trabalhador, moderno e inovador”, considera.
Para Jorginho, a combinação de austeridade fiscal, investimento em infraestrutura e políticas de incentivo à produção coloca Santa Catarina em posição de destaque nacional.
“Estamos preparados para o futuro. O Estado cresce porque o catarinense é trabalhador, inovador e não tem medo de desafios. Nosso papel é garantir as condições para que isso continue acontecendo”, conclui.
Julgamento de Bolsonaro: Jorginho Mello faz avaliação
O governador volta a defender o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em meio ao início dos julgamentos relacionados aos atos de 8 de janeiro de 2023. Afirma que o processo representa uma tentativa de afastar Bolsonaro do cenário político nacional e classificou a acusação como parte de uma “narrativa construída”.
“Estou entristecido. Começa um julgamento de crimes que não existiram. Inventaram um golpe de Estado. O golpe de Estado é quando se usa arma, quando alguém é tirado do poder, quando há ruptura institucional. Nada disso aconteceu.”
Para ele, a Justiça estaria promovendo um processo “para condenar meia dúzia de pessoas e o maior líder da direita que o Brasil já teve, que é o Jair Bolsonaro”.
Jorginho afirma que o processo fragiliza a democracia ao buscar inviabilizar a participação de Bolsonaro em futuras eleições. “Isso é para não deixar ele disputar a eleição. Torço, todos os dias, para que o julgamento seja conduzido com serenidade. O Brasil vive um momento de muita tensão. Isso não faz bem para o país”, diz.
Segundo ele, “não houve crime, houve baderna. É preciso punir quem fez baderna, colocar Bolsonaro na cadeia? Isso passou dos limites”. Apesar das críticas, ele diz acreditar nas instituições.
“Acredito na democracia, tenho que acreditar no Judiciário. Mas essa novela precisa terminar, e o que ela não pode fazer é condenar inocente”, considera.







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